Contagem Regressiva #20dias – Tema do Carnaval 2013!


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A essa altura, você nem tem mais unhas de tanto roer na expectativa desses 20 dias passarem rápido. Qualquer barulho já faz você dançar, o Festival de Verão te deixa à flor da pele, cada ensaio te deixa mais na vontade de, finalmente, botar o Bloco a Rua e curtir a festa mais amada de 11 em cada 10 baianos: o Carnaval!

O Carnaval de Salvador atrai multidões. São mais de 2 milhões de foliões baianos e turistas e cerca de 224 entidades (28 afoxés, 61 afros, dez alternativos, 39 blocos de trio, sete percussão/sopro, quatro especiais, dois de índios, oito infantis, 21 de percussão, 36 de samba e oito de travestidos). É a maior festa popular de rua do planeta, patrimônio cultural imaterial da humanidade!

A cada ano, é escolhido um tema para reger essa belíssima festa, homenageando um personagem especial da nossa cultura, já tendo sido Jorge Amado, a Tropicália, a Capoeira, o Samba… Em 2013, o tema será “Guitarra Baiana, Patrimônio do Povo”.

A Guitarra Baiana é instrumento híbrido entre o cavaquinho e o bandolim. Inicialmente chamado de cavaquinho elétrico, foi construída por Adolfo Dodô Nascimento e Osmar Álvares Macêdo – a famosa dupla Dodô e Osmar, também criadora do Trio Elétrico – e rebatizada no final dos anos 70.

É impossível falar de Axé Music sem falar de Guitarra Baiana, tamanha a influência do instrumento na história da música e da cultura popular baiana. “A escolha da guitarra elétrica será mais uma oportunidade de mostrarmos para o Brasil e o mundo a nossa riqueza cultural. A guitarra é um dos instrumentos mais importantes na folia do Carnaval. O instrumento é um patrimônio da Bahia, criado pelos saudosos Dodô e Osmar, e, que logo em seguida transformou-se na ferramenta fundamental para a criação do trio elétrico, dando origem à explosão que representa a musicalidade do Carnaval de Salvador”, explica o presidente do ComCar, Pedro Costa.

Mas a Guitarra Baiana foi mesmo popularizada por Armandinho Macêdo, filho de Osmar, que é hoje considerado o Mestre do instrumento e, com certeza, será centro das atenções neste Carnaval. “Em breve, apresentarei um CD com o mesmo título da festa, como um presente para os baianos. É uma homenagem justa para a história da cidade, da festa, do Carnaval de Salvador”, diz ele.

O cantor e guitarrista Marcelo Garcia, da banda Soterosamba – que tocará domingo no Camarote do Nana, irá substituir seu instrumento neste Carnaval pela Guitarra Baiana. Ele explica o porquê: “A Guitarra Baiana foi fundamental para a construção musical do nosso estado, merece todo nosso respeito. Por isso, a Soterosamba decidiu incluí-la na banda como forma de homenagem neste Carnaval!”.

Para ir diminuindo sua ansiedade para o Carnaval de Salvador, aprecie o espetáculo do Maestro Armandinho com sua Guitarra Baiana!

 

10 anos do Bloco Traz-os-Montes [1982]


Hoje teremos o prazer de trazer, mais uma vez, ao nosso blog, uma das histórias de vida e de Carnaval do Mestre Pedrinho da Rocha! Vamos com a história da comemoração de 10 anos do Bloco Traz-os-Montes:

“Esse é um “plástico” do bloco Traz-os-Montes, com estampa criada para o carnaval de 1982, quando a agremiação faria 10 anos. Para aqueles que não sabem – acredito que a maioria – naquela época, ainda não existiam os “adesivos” tão comuns nos vidros dos carros nas décadas de 80 e 90. O que utilizavamos eram os “plásticos”, que tinham a mesma função de comunicação, mas eram presos ao vidro com uma leve umedecida com água e podiam ser retirados facilmente. Se não era a única forma de divulgação dos blocos de carnaval, era, de longe, a mais importante. Ter um desses no carro significava fazer parte de uma galera especial. A propaganda passava por ai: o que era exclusivo, era desejado.

Essa peça também revela um pouco da concepção criativa e da personalidade contraditória que eu tinha na época. Num momento em que a estética do carnaval estava mais para os confetes, serpentinas, pierrôs e as colombinas das decorações ou do escrache dos personagens momescos e baconianos dos blocos, eu me valia de um grafismo icônico e sintético, quase uma marca. Não fossem as cores, nem parecia carnaval. O sol nascente revela uma forte influência da estética surf que acabava de invadir nossa geração. Sincretismo estético.

Revelando já um lado publicitário, resolvi dar um jeito numa questão recorrente aos blocos que chegavam ao décimo carnaval, mas que, como tinham sido fundados dias antes da primeira vez que foram para a rua, tinham de fato só 9 anos. Então, em vez de colocar o tradicional “10 anos”, o que seria falso, resolvi adotar os “10 Carnavais”, mais justo e menos careta.

Os leiautes eram feitos com guache ou caneta hidrográficas, e as artes finais em tinta nanquim, com aquelas terríveis canetas “Rottring”, que entupiam o tempo todo.

Lembro exatamente do dia em que concebi essa peça. Difícil é acreditar que já se passaram 30 anos, rsrsr…”

Original em: http://pedrinhodarocha.wordpress.com/2012/01/15/a-comunicacao-dos-blocos-ha-30-anos/

História das Festas Juninas


 

As fogueiras já estão montadas, as bandeirolas já foram penduradas e por aqui só se sente o aroma delicioso dos quitutes de milho e de amendoim, típicos do período. O clima de São João tomou conta não só da Central do Carnaval, mas de toda a Bahia!

Os festejos são tradicionais em todo o estado e se profissionalizam a cada ano, sem nunca sair de suas raízes. Mas você sabe como e onde começaram as festas juninas que se iniciam amanhã? Para entrar no clima, fique por dentro da história desta tradição!

Reza a lenda que o dia de São João era comemorado antes mesmo da era cristã por povos pagãos, que comemoravam o tempo de colheita e a fertilidade da terra no período do início do verão. Com o tempo, a Igreja Católica assumiu as festas para comemorar os dias de 3 importantes santos para a religião: Santo Antônio, um dos maiores oradores da Igreja e com enorme número de fiéis, no dia 13; São João, primo de Jesus e quem começou a prática do batismo, dia 24; e São Pedro, o primeiro Papa, no dia 29.

Com a colonização portuguesa, povo seguidor da fé católica, as festas juninas foram trazidas ao Brasil e ganharam elementos da cultura africana e da culinária local, com a grande produção de milho neste período do ano. Ao decorrer do povoamento plural do Brasil, várias outras características de variados povos se uniram à festa, aumentando sua beleza. Os franceses trouxeram a dança com passos marcados, que influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, país onde foi descoberta e disseminada a utilização da pólvora.

Já a tradição de acender fogueiras também vem da fé católica. Diz a história que Isabel, mãe de João, prometeu à Maria, sua prima e mãe de Jesus, que acenderia uma fogueira para lhe avisar quando João nascesse. Assim, até hoje as fogueiras são acesas na noite de comemoração ao santo.

São tantas histórias… e também são muitos os motivos para comemorar! O bom mesmo da época junina é arranjar uma boa festa e cair no forró. E as melhores opções estão aqui! Forró é na Central!

 

Parabéns, Salvador! 463 anos!


29 de março é aniversário da nossa amada cidade de Salvador, capital da alegria e, claro, do Carnaval! E hoje nós também comemoramos o post nº 500 aqui no nosso Blog! \o/ Portanto, é dia de comemoração em dobro!

E tem jeito melhor de comemorar do que falando de coisas que a gente gosta? Durante a semana, estivemos apresentando a vocês pontos turísticos da nossa belíssima cidade na nossa FanPage. Hoje é dia de falar mais sobre outros deles, mostrando a vocês que ainda não vieram a Salvador o que nossa cidade tem de melhor e deixando com saudade quem já visitou a capital da alegria!

A trilha sonora: É D’Oxum, com belíssimas imagens da nossa cidade!

Elevador Lacerda

Desde 1873 interligando a Cidade Alta e a Cidade Baixa, o Elevador Lacerda tornou-se um dos mais conhecidos cartões-postais de Salvador. Surgiu como uma forma encontrada para integrar as duas partes da cidade, dividida por uma falha geológica em sua formação, e tornou-se famoso internacionalmente. É usado ainda como transporte de ligação entre o bairro do Comércio e a Praça da Sé. Hoje, em homenagem ao aniversário de Salvador, receberá uma iluminação especial, tornando sua paisagem ainda mais bonita!

Farol da Barra

Esse é grande conhecido da galera carnavalesca! Ao seu redor acontece a concentração dos blocos que desfilam no Circuito Barra-Ondina. O que você pode não saber é que o Farol existe desde 1698 e foi construído sobre o Forte de Santo Antonio da Barra. Se você o conhece apenas por fora, vale a pena conhecer também seu museu no interior e subir para ver a paisagem lá de cima.

Praça Castro Alves

A praça do povo também é conhecidíssima pelos foliões tradicionais. É um marco do Circuito Osmar, local de antigos Encontros de Trios (agora sendo revividos!) e de shows espetaculares de frente para a Baía de Todos os Santos, vista lá de cima. A praça é uma homenagem ao Poeta Castro Alves, carregando seu nome e sua estatueta.

Pelourinho

O Centro Histórico de Salvador também é impregnado de histórias. A região, que se estende do Terreiro de Jesus até a Praça da Sé, ainda hoje é marca da Salvador colonial, repleta de antigos sobrados, importantes construções, como a 1ª Faculdade de Medicina do Brasil, a Catedral Basílica, e prédios administrativos como a Prefeitura Municipal, na Praça da Sé.

Lagoa do Abaeté

Já dizia Caymmi que “o Abaeté tem uma lagoa escura arrodeada de areia branca”. Mas também de mitos e mistérios está envolta essa lagoa, localizada no Parque Metropolitano do Abaeté, no bairro de Itapuã. Suas dunas de areia branca e seus coqueirais marcam a paisagem cheia de histórias.

Largo de Sant’Ana

Também conhecido como “Largo da Dinha”, uma referência ao tabuleiro da baiana de acarajé mais famosa da Bahia, o Largo reflete o espírito de boemia do bairro no qual está localizado: o Rio Vermelho. Ali a noite baiana se mistura em vários ritmos e tribos, tudo regado à cerveja gelada e muito acarajé!

Fachada da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim

Igrejas

Reza a lenda que Salvador tem 365 Igrejas Católicas, uma para cada dia do ano. O número é incerto, mas o que é certo mesmo é que aqui o cristianismo português e as religiões de matrizes afros trazidas pelos escravos se misturaram, formando uma fé única, espalhando sincretismo pela cidade. Algumas das Igrejas mais famosas são: a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, localizada na “Colina Sagrada” do Bonfim, onde os baianos e turistas se vestem de branco para pedir bênçãos, amarrando fitinhas em seus portões; a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro do Comércio, marcada pelo luxo da decoração barroca, com imagens históricas e muito ouro; a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, marca das influências dos escravos e do candomblé no Catolicismo em Salvador; Igreja e Ordem Terceira de São Francisco, localizadas também no Pelourinho, uma ao lado da outra, também reconhecidas pela beleza e luxo barroco na sua decoração.

Salvador está comemorando 463 anos e temos muito o que nos orgulhar dessa cidade rica de belezas naturais e mergulhada em história, por ser a 1ª capital do Brasil. Mas, além de tudo o que esta cidade é, também queremos parabenizar o povo soteropolitano, que faz a aura alegre, descontraída e receptiva de Salvador. O que seria dessa cidade se não fosse o seu povo? É ele quem dança, canta, pulsa, reza, recepciona, sorri, conversa e povoa as ruas desta cidade tão abençoada por Deus que leva o nome do seu filho: Cidade de São Salvador da Bahia.

Parabéns, Salvador! Parabéns, Soteropolitanos!

Em comemoração, a Via Alegria está presenteando com um kit todos que efetuarem reserva de hospedagem para o Carnaval de Salvador 2013 até amanhã!

Em tempo: agradecemos a todos que acompanham o Blog da Central diariamente, ao longo desses 500 posts! É por vocês que estamos aqui! ;)

A Evolução dos Trios Elétricos


Vamos voltar no tempo hoje e começar bem a semana ouvindo mais uma das incríveis histórias de Pedrinho da Rocha sobre o Carnaval!

Dessa vez, falando sobre os Trios Elétricos e sua Evolução. Vamos aprender mais sobre a história da nossa festa preferida?

 

Vendo estas fotos em meus arquivos, me chamou a atenção o fato delas representarem, de forma bem clara, três momentos que simbolizam a virada tecnológica dos Trios Elétricos, o que viria a provocar mudanças profundas no cenário musical e cultural da Bahia. Também é curioso o fato dessas fotos serem de três anos seguidos – 1979, 1980 e 1981 - e pertecerem ao mesmo bloco, no caso, o Traz os Montes.

Vejamos: na primeira foto, de 1979, o Trio do Bloco Traz os Montes era na verdade um reserva do Trio Tapajós. Ainda predominavam as chamadas “boca sedã”, tipo de propagador de som em forma de cone. Haviam apenas umas duas pequenas caixas de som na frente e nas laterais e os amplificadores ainda eram do tipo valvulados. Curiosamente, podemos ver a figura de Bell, cantor da Banda Scorpius, atual Chiclete com Banana, tocando uma guitarra no final da parte superior do trio, e toda a percurssão em baixo, na lateral, como era tradição em todos os trios da época.

 

 

Já na foto acima, de 1980, vemos o primeiro Trio Elétrico totalmente transistorizado e utilizando unicamente caixas de som e cornetas “Snake” e não mais as “bocas sedãs”. Esse Trio Elétrico do Traz os Montes foi uma revolução estrondosa, literalmente. Ninguém, até então, ouvira um som com tanta qualidade, fruto da inventividade dos jovens diretores do Bloco Traz os Montes e dos técnicos de som Wilson Marques e Miller. Nessa foto, eu apareço de short vermelho conversando com Rey, baterista da banda, além de Alexandre, meu primo, e Wilson, o barbudo em cima do trio. Esse foi meu primeiro trabalho de decoração, executado na antiga sede da ABB, na Barra.

 

Por último, o trio que fez a maior de todas revoluções quando colocou caixas de som onde antes ficava a percurssão e proporcionando, pela primeira vez, que uma banda completa se apresentasse na parte superior do trio. Percebam que, ao contrário dos dois anteriores, não existe mais aquele vão na lateral do trio. O impacto dessas modificações fez com que esse trio virasse referência para todos os que foram construídos a partir de então, ocasionando o surgimento de várias bandas e artistas que, mais tarde, dariam forma a chamada “axé music”.

Marcas do Camaleão


Hoje vamos retomar, com grande prazer, uma história de um daqueles que acompanhou a evolução do Carnaval de Salvador, do Camaleão, da Central do Carnaval, e evoluiu junto com eles.

Contando a história das Marcas do Camaleão ao longo do tempo, Pedrinho da Rocha!

No topo, primeiro trabalho para o Bloco Camaleão. Fui criar para eles no mesmo ano em que Luiz Caldas, recém saído do Bloco Beijo, se mudou para lá, em meados de 1984. No ano seguinte, depois da sua estréia no Camaleão, Luiz virou celebridade e ganhou o título de “Rei do Fricote”.

Eu tinha, na época, verdadeira paranóia por inventar tipologias, evidente nas três primeiras artes acima, onde a figura do “bicho camaleão” era sempre presente, até que foi substitudo pela “patinha” já na era da banda Chiclete com Banana.

Em sua primeira versão a patinha aparecia em dupla, mas diante do sucesso imediato, logo virou o grande símbolo do bloco e, para aumentar a força de sua comunicação, ano seguinte mudamos para uma só pata. Sem dúvida, a marca mais conhecida do Carnaval Baiano. (Ver postagem “A Origem da Patinha do Camaleão”)

E, graças a Pedrinho da Rocha, hoje os Chicleteiros tem seu próprio símbolo… A Pata mais amada do Brasil!

A história das Festas Juninas


Faltando apenas 30 dias para o São João, o nosso contador e o coração de todo mundo dispara como um rojão! Apenas um mês para esta festa tão especial em todo o Nordeste e já adotada como queridinha em tantos lugares do país.

Mas de onde surgiu tudo isso? Como começaram todos os festejos e tradições juninos?

Conta a lenda que o dia de São João era comemorado antes mesmo da era cristã por povos pagãos, que comemoravam o tempo de colheita e a fertilidade da terra no período do início do verão. Com o tempo, a Igreja Católica assumiu as festas para comemorar os dias de 3 importantes santos para a religião: Santo Antônio, um dos maiores oradores da Igreja e com enorme número de fiéis, no dia 13; São João, primo de Jesus e quem começou a prática do batismo, dia 24; e São Pedro, o primeiro Papa, no dia 29.

Com a colonização portuguesa, povo seguidor da fé católica, as festas juninas foram trazidas ao Brasil e ganharam elementos da cultura africana e da culinária local, com a grande produção de milho neste período do ano. Ao decorrer do povoamento plural do Brasil, várias outras características de variados povos se uniram à festa, aumentando sua beleza. Os franceses trouxeram a dança com passos marcados, que influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, país onde foi descoberta e disseminada a utilização da pólvora.

Já a tradição de acender fogueiras também vem da fé católica. Diz a história que Isabel, mãe de João, prometeu à Maria, sua prima e mãe de Jesus, que acenderia uma fogueira para lhe avisar quando João nascesse. Assim, até hoje as fogueiras são acesas na noite de comemoração ao santo.

Outra tradição dos festejos da época é das meninas solteiras que querem casar e recorrem ao Santo Antônio. Na época em que a religião católica era proibida, Antônio era responsável por realizar casamentos de cristãos às escondidas, prática que lhe rendeu o título de “santo casamenteiro”. Hoje, para arranjar rápido um marido, as moças tiram o menino Jesus dos braços da imagem do santo e lhe viram de ponta-cabeça em um copo de água até que o pretendente surja.

São muitas as histórias que rodeiam esta festa… E também são muitas as opções para você curtir o São João aqui na Bahia! Confiram as melhores no nosso site!

As festas juninas esperam por você! Vem dançar forró com a gente!

2 de Fevereiro, dia de Iemanjá!


“Dia 2 de fevereiro é dia de festa no Mar/Eu quero ser o primeiro a saudar Iemanjá!”

 

Hoje Salvador se cobre inteira de branco e azul e vai ao mar levar perfumes, espelhos e flores como oferendas e pedir bênçãos à Rainha do Mar. Hoje é dia de Iemanjá, dia de festa para esta cidade de todos os credos, onde é forte o culto à mitologia de raízes africanas.

A praia do Rio vermelho recebe milhares de pessoas que vão até lá levar suas oferendas. Iemanjá é muito vaidosa, por isso recebe muitos presentes para se embelezar. Junto com os presentes, vão os pedidos. Se o presente retorna, é porque foi rejeitado e o pedido não será atendido, diz a lenda.

Saiba mais sobre a lenda de Iemanjá:

 

“Conta a tradição dos povos iorubás (atual Nigéria), que Iemanjá era a filha de Olokum, deus do mar. Em Ifé, tornou-se a esposa de Olofin-Odudua, com o qual teve dez filhos, todos orixás. De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos. Cansada da sua estadia em Ifé, Iemanjá fugiu na direção do “entardecer-da-terra”, como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá. Iemanjá continuava muito bonita. Okerê propôs-lhe casamento. Ela aceitou com a condição que ele jamais ridicularizasse a imensidão dos seus seios.
Um dia, Okerê voltou para casa bêbado. Tropeçou em Iemanjá, que lhe chamou de bêbado imprestável. Okerê então gritou: “Você, com esses peitos compridos e balançantes!” Ofendida, Iemanjá fugiu. Okerê colocou seus guerreiros em perseguição e Iemanjá, vendo-se cercada, lembrou que tinha recebido de Olokum uma garrafa, com a recomendação que só abrisse em caso de necessidade. Iemanjá tropeçou e esta quebrou-se, nascendo um rio de águas tumultuadas, que levaram Iemanjá em direção ao oceano, residência de Olokum.
Okerê, tentou impedir a fuga de sua mulher e se transformou numa colina. Iemanjá, vendo bloqueado seu caminho, chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos, que lançou um raio sobre a colina Okerê, que abriu-se em duas, dando passagem para Iemanjá, que foi para o mar, ao encontro de Olokum.

Iemanjá usa roupas cobertas de pérola, tem filhos no mundo inteiro e está em todo lugar onde chega o mar. Seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la. Iemanjá, Odô Ijá (rainha das águas), nunca mais voltou para a terra. Ainda existe, na Nigéria, uma colina dividida em duas, de nome Okerê, que dá passagem ao rio Ogun, que corre para o oceano.”

Fonte: Portal Rio Vermelho

Foto: João Alvarez/UOL

Foto: João Alvarez/UOL

Foto: João Alvarez/UOL

Foto: João Alvarez/UOL

Foto: João Alvarez/UOL

Para embalar o dia, Timbalada com “Na beira do Mar”!

Odoiá, Salve Iemanjá!

Central, um “case” do Carnaval


Pra vocês, hoje, teremos mais um texto de Pedrinho da Rocha.

Dessa vez, um texto mais que especial falando da gente.

Obrigada, Pedrinho!

 


Quando Misael Tavares, ex-empresário de Netinho e dono do Bloco Beijo, me disse que procuraria um concorrente para administrar o Bloco Beijo, logo me veio à cabeça mais umas das suas elocubrações. De imediato lhe disse que achava difícil algum outro bloco topar essa empreitada. Porém, ele, irredutível, falou que iria propor a idéia ao Eva, ao Asa (InterAsa) e ao Camaleão. Para minha surpresa, depois dos primeiros consultados declinaram da idéia, o Camaleão topou. Ano seguinte, Misael também conveceu os blocos Crocodilo e Acadêmicas a fazerem o mesmo entregando suas comercializações ao Camaleão. Na visão de meu amigo, ele tinha que se dedicar a carreira de Netinho e da Banda Beijo e deixar o bloco para quem fosse especialísta nisso. Indiscutivelmente, o Camaleão sempre esteve entre as estruturas mais organizadas do Carnaval baiano e provou isso administrando a venda conjunta desses três blocos, além do próprio Camaleão e do Nana Banana.

Passado o carnaval, os “meninos” do Camaleão me chamaram para uma reunião e me contaram sobre um novo projeto deles: criar uma empresa só para administrar a venda de blocos. Não só daqueles que já comercializavam, mas de muitos outros. Precisavam de um nome para essa empresa e já me apresentaram algumas sugestões, dentre as quais “Central do Carnaval”, que gostei muito. Argumentei que por ser um nome auto explicativo teríamos mais facilidade de comunicar um produto inusitado. Afinal, até então, os blocos se comportavam como times rivais no futebol: ou você era Beijo ou Camaleão, ou Eva ou Cheiro…  como explicar esse novo formato? Durante o desenvolvimento da campanha em reuniões com a diretoria, foi se desenhando aquilo que seria ainda mais revolucionário naquela idéia: a venda dos abadás dos blocos, que historicamente sempre foram comercializados num pacote único de três dias de carnaval, agora poderiam ser adquiridos separadamente, ou seja, em vez de três dias do mesmo bloco, o folião poderia, por exemplo, compor seu mix e sair um dia no Camaleão, um dia no Beijo e um dia no Crocodilo. Lógico que uma mudança de paradigma dessa natureza cria tensões e espectativas. Eram muitos anos de tradição, mas a idéia caiu como uma bomba no mercado. Em menos de dois anos, tudo mudaria para sempre na comercialização do carnaval baiano.

É desnecessário dizer que uma idéia dessas só daria certo com uma administração competente. Quem conhece o quarteto Tinho, Quinho, Marcelo e Dolfo, sabe que o sucesso da Central do Carnaval não foi por acaso. É, sem dúvida, o maior case do carnaval baiano.

Curiosidades sobre a marca da Central: muita gente me pergunta se ela foi inspirada num catavento ou no sol, mas o fato é que durante a primeira reunião, onde foi definido o nome da Central, me veio a idéia de vários blocos convergindo para um mesmo ponto, representados graficamente pelos gomos coloridos. Outro fato que virou motivo de brincadeira é que, dentre os nomes sugeridos, havia uma pérola: ”Associação Soteropolitana dos Blocos de Carnaval”.

Apesar das incertezas e dificuldades, 10 anos depois, podemos perceber a dimensão alcançada pela ousadia e o consequente  sucesso de uma grande idéia bem administrada.

Parabéns, Central!

Mortalha, a pré-história do Abadá


Mais um texto da história do Carnaval retirado do blog do nosso parceiro, Pedrinho da Rocha.

 

As mulheres preferiam dobrar a mortalha.

Quase a maioria dos atuais foliões do carnaval de Salvador nunca viram nem sabem o que é uma mortalha. Mas até 1993, essa era a vestimenta padrão de quem brincava nas ruas durante a folia.  As mortalhas eram verdadeiras túnicas multicoloridas. Era um ícone de tal grandeza que ninguem imaginaria que elas sumiriam das ruas, do nosso carnaval, praticamente de um ano para o outro.

Nas fotos temos uma mortalha do Pinel, só a frente, e os dois versos da mortalha do Crocodilo no último ano do Asa de Águia nesse bloco. Logo abaixo, meus amigos Tinho e Marcelo e a turma do Camaleão no ano que Luiz Caldas virou sucesso, em 1985. Depois um time de primeira do Crocodilo e Asa de Águia.